O elevado número de fatores com que o desempenho de pessoas vem
sendo avaliado é outro fator que camufla e compromete a eficiência
das próprias avaliações. Segundo a prática,
difícil uma avaliação do desempenho das pessoas
contar com menos de seis, oito ou até dez fatores. Como ninguém
é nota dez em tudo, surgem noves, oitos, setes, seis e, em menor
escala, as notas mais baixas. Resultado: frustrações generalizadas,
incompreensões, redução da auto estima, valorização
do esforço individual em detrimento ao trabalho de equipe, enfim,
uma queda considerável no moral em todos os níveis, cujo
soerguimento exige meses de muito empenho.
Quando, então, a avaliação do desempenho é
empregada para melhorar salários, ai mesmo que os ânimos
se acirram, as explicações não convencem, as comparações
atingem elevados graus na escala emocional, o ambiente de trabalho fica
visivelmente afetado, não sendo raros os casos em que repercutem
quedas nos níveis de produção.
É clássica nas administrações que empregam
esses sistemas de avaliações de desempenho a prevalência
do medo, o incentivo para se imitar comportamentos nada exemplares,
a atrofia do emprego de conhecimentos técnicos, a desmotivação
para contribuir com a melhora dos processos produtivos, a concordância
irrestrita com propostas das chefias.
OBJETIVOS
DA AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DAS PESSOAS
Caracterizar
as habilidades necessárias de um profissional é questão
que afeta, inicialmente , aos órgãos de recrutamento e
seleção e, posteriormente aos órgãos de
desenvolvimento; estar dinamicamente entrosado no trabalho do dia-a-dia,
isto sim, é função da avaliação do
desempenho das pessoas.
Assim, medir o desempenho de um colaborador consiste em medir o quanto
ele se adapta às tarefas que lhe são apresentadas. Como
essa adaptação é dinâmica e depende não
somente das referidas tarefas, mas inclusive, da maneira como as mesmas
são avaliadas, a questão passa a ser o estabelecimento
das características que devem ser pesquisadas, a forma de medi-las
e, fundamentalmente , sua gerência.
Segundo essa linha de raciocínio, o modelo para avaliar o desempenho
de pessoas numa organização tem de proporcionar à
avaliação uma melhor adequação do pessoal
aos setores da empresa e sempre que possível as de cada pessoa
individualmente.
DIFERENTES
FATORES DE AVALIAÇÃO
Não
é apenas entre empresas distintas que o processo de avaliação
do desempenho dos colaboradores deve ser diferente. Setores específicos
de uma mesma empresa pleiteiam idêntico tratamento.
A falta de observação de cuidados nesse sentido tem sido
responsável pela falta de operacionalidade de complexos e onerosos
programas. A cada propósito correspondem fatores específicos
e bem determinados. O uso de fatores iguais em áreas com objetivos
distintos, inegavelmente, compromete a aficácea de qualquer programa.
Os operadores de máquina de um sistema produtivo e o pessoal
do setor de vendas, por exemplo, devem ser avaliados segundo fatores
especialmente estabelecidos para cada caso, simplesmente porque suas
condições de trabalho são completamente diversas.
Se assim não for, se nos dois casos os fatores de avaliação
forem os mesmos, certamente, um dos dois setores não será
bem avaliado ou, o que é provável, ambos não serão
bem avaliados.
Situações peculiares e passageiras também requerem
avaliações específicas. Nada a ver, por exemplo,
entre os fatores de uma avaliação de desempenho para as
chefias integrantes de um programa de incentivo à formação
de substitutos e de novas lideranças , com os fatores de uma
avaliação destinada a medir o desempenho de uma equipe
de soldadores, após terem recebido treinamento para utilização
de novos equipamentos.
Essas as razões que justificam e até recomendam avaliações
do desempenho de pessoas com fatores diferentes, tanto por setores da
empresa, sejam diretorias, gerências, supervisões, regiões
geográficas, postos avançados, etc, como até individualmente,
empregado por empregado.
GESTÃO
ESTRATÉGICA DO DESEMPENHO DO PESSOAL
As empresas
que buscam acompanhar a evolução mundial que ocorre nos
dias de hoje, com grande reflexos nas gerências dos negócios
deram um salto à frente. Para essas organizações,
já foi o tempo, num processo de avaliação do desempenho
de pessoal, as chefias estabeleciam os fatores determinantes dos critérios
de pontuação e ponto: tinha-se uma programação
estabelecida.
Segundo os conceitos atuais de parceria, trabalho em equipe, e melhoria
contínua, a organização de um processo de avaliação
de desempenho deve se dar de forma a simples e bilateral, passando a
contar, obrigatoriamente, com a participação dos avaliados.
Essa evolução se deve a importância com que se passou
a concentrar esforços para se motivar um aumento de participação
e colaboração dos funcionários nos programas de
produtividade das empresas, vindo ao encontro da tendência atual
de democratização das administrações modernas
e do que alguns autores apontam como a transição da Era
Industrial para a Era do Conhecimento.
Para atender a estas necessidades, o modelo de avaliação
deve se adaptar ao novo enfoque gerencial. Por tais razões, a
avaliação de cada colaborador passa a se desenvolver por
meio de um programa de trabalho traçado pela chefia e pelo funcionário,
segundo uma visão gerencial conhecida como ganha-ganha, em que
não há perdedores numa empreitada, conjunta, elaborada,
detalhe a detalhe, de comum acordo entre eles.
Esses “contratos” bilaterais assim firmados entre os empregados
e seus respectivos chefes compõem, cada um, o esquema de trabalho
que, de fato, contribui para o aumento de produtividade. Medir a parcela
de contribuição do empregado nesse aumento de produtividade,
em síntese, constitui a responsabilidade da avaliação
de desempenho. Nesse estágio, o estabelecimento de fatores que
permitam essa mensuração assume importância considerável,
tendo muito a ver com a competência, criatividade e liderança
daquele que exerce a chefia.
O trabalho de estabelecer junto aos subordinados esses “contratos”
e de acompanhar suas execuções no dia-a-dia pode ser visto,
de inicio, como algo comprometedor e limitante da liberdade da ação
gerencial. A prática, no entanto, indica que os resultados tem
sido compensadores e contribuem para melhorar, em muito, a otimização
do tempo de trabalho, do ciclo de produção, das relações
chefia/empregado e, indiscutivelmente, da produtividade.
Já foi o tempo em que um chefe praticamente não tinha
contato direto com seus funcionários. De acordo com o novo modelo,
as trocas diretas de informações e aproximação
natural entre pessoas que trabalham num mesmo local ocorrem diariamente
e todo momento. Isto porque as tarefas se interagem no atendimento ao
objetivo maior e comum a todos e é o segundo principio básico
de qualquer administração que quer ser moderna.
Dentro desse princípio, quando uma queda de produção
for percebida por um empregado ou por seu chefe, ou mesmo quando um
dos dois suspeitar da existência de um modo de se alcançar
melhores resultados com a modificação de certos procedimentos,
o assunto surgirá naturalmente, provocando intensas discurssões
e pesquisas o que, certamente, resultará no estabelecimento de
um programa de trabalho objetivando o retorno do nível de produção
ou, como tem ocorrido com freqüência, sua elevação.
Nesse programa de trabalho, ocupa lugar de destaque a inclusão
de fatores que serão objetos de avaliação com respectivos
índices a serem alcançados. Certamente não deverão
ser mais do que uns três fatores, uma vez que essa pequena quantidade
tem sido mais do que suficiente para se atingir as metas desejadas.
Quando muito não haja, tem-se que à medida que aumenta
o número de fatores aumenta, também, a dispersão
dos valores observados.
Claro que o programa a ser traçado para um empregado não
deve ser, necessariamente, o mesmo para outro. Casos de inadaptações
a tecnologias que se renovam e a novos processos de trabalho, resistências
a treinamentos, dificuldade para assumir responsabilidades, desencorajamento
do trabalho em equipe, etc devem ser objetos de esforços distintos,
em prazos e formas de ações variáveis, sempre que
possível considerando a individualidade de cada um, dentro dos
limites dos interesses do serviço. Nesse particular, tem sido
comum as características de liderança de uma chefia aflorarem
e se explicitarem surpreendentemente.
Em síntese, acompanhar “contratos de trabalho”assim
estabelecidos de comum acordo entre funcionários e chefes constitui
a essência do que se entende, hoje em dia, por gestão estratégica
do desempenho das pessoas.
NATURALIDADE
DE FATORES DIFERENCIADOS
É
de se frisar que a gestão estratégica do desempenho só
deve ser deflagrada quando houver real necessidade, nunca de forma rotineira
e periódica. Se uma empresa ou mesmo um setor desta vem apresentando
ótimo resultado, fruto de elevada participação
de seus colaboradores, não há porque se intervir no processo
em desenvolvimento. Caso contrário, há de se considerar
os riscos de se introduzir interferências negativas que comprometam
os resultados alcançados.
Essa nova concepção de se gerir o desempenho de uma equipe,
levada a efeito por “contratos de trabalho” estabelecidos
entre um colaborador e seu chefe, assenta-se em metodologia totalmente
diferente daquela utilizada nos processos que, anteriormente, eram desenvolvidos
para se avaliar o desempenho dos empregados.
Se no modelo anterior avaliar empregados ou grupos de empregados segundo
fatores diferentes provocava reações negativas quanto
à credibilidade do processo, num “contrato de trabalho”
como aqui estabelecido, a adoção de fatores variáveis,
independente das circunstâncias, não causa a menor comoção;
pelo contrário, indica especificidade necessária.
No presente modelo, consolida-se pois, de forma quase que intuitiva,
a compreensão de que poucos e variados fatores respondem pela
objetividade das avaliações pretendidas.
Estudos, a respeito das megatendências nas organizações
e do papel do gestor, dão conta de que os crescimentos das empresas
e das pessoas verificam-se simultaneamente e são mutuamente benéficos.É
de se salientar, no entanto, que nas companhias onde a alta cúpula
não se envolver direta e estrategicamente com o desenrolar de
um processo de gerenciamento de pessoas, melhor nem implantá-los.
Que a participação melhora o desempenho não mais
se constitui em novidade. Interessante, no entanto, é constatar
que grande parcela dos empresários, há anos, está
convencida de que a qualidade de vida do empregado é indispensável
para que a qualidade do produto seja alcançada.
A política estratégica da organização deve
ter como arraigada a todos os membros a compreensão de que o
gerenciamento do desempenho deve ser entendido como tendo por objetivo
contribuir para crescimento do empregado, afim de que ele possa melhor
se ajustar as tarefas que lhe são afetas, nos níveis crescentes
de exigência que a empresa deseja de sua força de trabalho.
Uma empresa
que se propõe a premiar e a punir com base em avaliações
de desempenho deturpa os objetivos desta e, o que é pior, acira
competições individualistas que, em sua maioria, não
condizem com o s objetivos da organização, propiciando
deturpações, provocando muito desgaste e custos totalmente
dispensáveis.
Texto
extraído:
Gildásio Amado
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