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O que é influenza aviária?
A influenza aviária é resultado da infecção das aves por vírus da influenza cujas cepas são classificadas como de baixa ou de alta patogenicidade, de acordo com a capacidade de provocarem doença leve ou grave nesses animais. A cepa que está circulando de forma epidêmica atualmente entre as aves domésticas da Ásia e Europa é altamente contagiosa e grave, provocando a dizimação de milhares desses animais. A exposição direta a aves infectadas ou a suas fezes (ou à terra contaminada com fezes) pode resultar na infecção humana. As aves migratórias (especialmente as aquáticas) disseminam os vírus da influenza aviária de baixa e de alta patogenicidade entre as criações de aves domésticas. A transmissão entre essas aves ocorre pelo contato direto com secreções de outras aves infectadas, especialmente com as fezes. A disseminação dos vírus da influenza aviária entre as criações desses animais ocorre com a contaminação da água, ração e equipamentos utilizados nos criadouros (incluindo caminhões e tratores). Ovos contaminados são outra fonte de infecção entre as aves, principalmente nos incubatórios, uma vez que o vírus pode ficar presente de 3 a 4 dias na casca dos ovos postos por aves contaminadas. Outra forma de introdução de vírus de influenza aviária é através da importação de material genético e do comércio de aves e seus produtos entre os países. Excepcionalmente o homem pode se infectar com o vírus da influenza aviária, através da exposição à aves infectadas ou através da manipulação de aves mortas. Não foi evidenciada a transmissão para humanos pela ingestão de ovos ou pelo consumo de carne congelada ou cozida das aves. Observação:
Assim como a gripe humana, causada pelos vírus de influenza humano, os vírus de influenza aviária causam nas aves sintomas respiratórios (como tosse e espirros), fraqueza e complicações como pneumonia. Há diferentes subtipos de vírus de influenza aviária, os quais determinam a gravidade da doença na ave. A doença causada pelos subtipos H5 e H7 (classificados como vírus de influenza aviária de alta patogenicidade) podem causar quadros graves da doença, com manifestações neurológicas (dificuldade de locomoção) e outras (edema da crista e barbela, nas juntas, nas pernas, bem como hemorragia nos músculos), resultando na alta mortalidade das aves. Em alguns casos, as aves morrem repentinamente, antes de apresentarem sinais da doença. Nesses casos, a letalidade pode chegar a 50 a 80% das aves de um determinado local. Nas galinhas de postura observa-se ainda a diminuição na produção de ovos, bem como alterações na casca dos mesmos, deixando-as mais finas. O tempo de aparecimento dos sintomas após a infecção pelo vírus da influenza depende do subtipo do vírus. Em geral os sintomas aparecem 3 dias após a infecção pelo vírus da influenza, podendo ocorrer a morte da ave nesse período. Em alguns casos esse tempo é menor que 24 horas e em outros pode chegar até 14 dias. Após a infecção, as galinhas infectadas podem eliminar o vírus nas fezes por cerca de 10 dias. As aves silvestres podem eliminar os vírus da influenza por cerca de 30 dias. Depois desse período, as aves que não morreram pela infecção podem desenvolver imunidade contra a doença. As aves não permanecem portadoras do vírus por toda a vida. A doença é exótica no Brasil, ou seja, não há evidências de circulação de influenza aviária de alta patogenicidade (FLU A/H5 e H7) nos granjas de aves comerciais brasileiras. No Brasil não foi identificado, até o momento, a doença pelo vírus influenza A/H5N1, responsável pelos surtos na Ásia e alguns países da Europa. Sim. Os surtos de doença causados pelos vírus FLU A/H5N1 (de alta patogenicidade) representam risco potencial para a saúde humana, em particular para os trabalhadores de granjas e de abatedouros dessas aves, pelo nível maior de exposição. Outros subtipos do vírus de influenza aviária, tais como FLU A /H5N2, H7 e H9 já foram diagnosticados em humanos, mas não causaram doença grave nem óbitos em pessoas infectadas. Por isso é importante o diagnóstico de influenza, com identificação viral e caracterização antigênica, tanto nas infecções em aves quanto no homem, a fim de estudar os vírus circulantes, conhecer melhor os riscos para as pessoas e para as aves e pesquisar a viabilidade de desenvolvimento de vacinas em humanos. Até recentemente, sabia-se que os tipos de vírus de influenza humana circulavam apenas entre humanos e suínos - de suíno para humano e de humano para os suínos. Os vírus da influenza aviária, normalmente, infectam suínos e estes infectam humanos. No entanto, em 1997 detectou-se pela primeira vez a transmissão direta da ave para o homem da cepa A/H5N1, que provocou 18 casos e seis óbitos. Este fenômeno voltou a ocorrer no sudeste asiático em dezembro de 2003, quando iniciou a mais recente epidemia de influenza aviária com transmissão direta das aves para humanos (até o momento ocorreram mais de 100 casos em quatro países daquela região, com elevada letalidade). Uma das hipóteses levantadas para essa mudança no comportamento do vírus é o contato freqüente e próximo entre diferentes espécies de aves com humanos. As medidas de controle mais importantes são: a rápida destruição (através do extermínio) de todas as aves infectadas ou expostas, o descarte adequado das carcaças, quarentena e desinfecção rigorosa das granjas. Além de restrições ao transporte de aves domésticas vivas, tanto no próprio país como entre países.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda aos países afetados pela influenza humana e aviária devido ao vírus da influenza aviária FLU A/H5N1, as seguintes medidas: 1.
Utilização de equipamento adequado para proteção
pessoal dos abatedores e transportadores de aves: 2. Lavagem freqüente das mãos com água e sabão. Os abatedores e transportadores devem desinfetar suas mãos depois de cada operação. 3. A limpeza do ambiente deve ser realizada nas áreas de abate, usando equipamento de proteção individual (EPI) descritos anteriormente. 4.
Todas as pessoas expostas a aves infectadas ou a fazendas sob suspeita
devem ser monitoradas pelas autoridades sanitárias locais. 5. Devem ser coletados, para investigação do vírus da influenza, os seguintes espécimes clínicos de animais (inclusive suínos): sangue e post mortem (conteúdo intestinal, swab anal e oro-nasal, traquéia, pulmão, intestino, baço, rins, fígado e coração). -
A doença pode se espalhar facilmente de uma granja para outra.
Um grande número de vírus é eliminado nas fezes
das aves, contaminando a terra e o esterco. Os vírus respiratórios,
quando inalados, podem propagar-se de ave para ave, causando infecção.
A
doença pode propagar-se de um país para outro das seguintes
formas: Desde meados de dezembro de 2003 alguns países asiáticos notificaram surtos de influenza aviária de alta patogenicidade em galinhas e patos, a saber: Cambodja, China, Coréia do Sul, Indonésia, Japão, Laos, Paquistão, Taiwan, Tailândia, Vietnã, e mais recentemente na Rússia, Kazakistão e Turquia. Infecções em outras espécies (aves selvagens e suínos) também foram notificadas. A rápida propagação da influenza aviária de alta patogenicidade, com ocorrência de surtos em vários países ao mesmo tempo, é historicamente inédita e de grande preocupação para a saúde humana e animal. Especialmente alarmante, em termos de riscos para a saúde humana, é a detecção da cepa de alta patogenicidade conhecida como FLU A/H5N1, como a causa da maioria desses surtos. Há apenas uma fraca evidência de que isto tenha ocorrido na Ásia uma única vez durante a atual epidemia de gripe aviária. Isto significa que o vírus H5N1 ainda não adquiriu condições biológicas de se propagar diretamente entre a população de seres humanos. Não. A primeira infecção humana documentada com a cepa aviária FLU A/H5N1 ocorreu em Hong Kong em 1997. Nesse primeiro surto, 18 pessoas foram hospitalizadas e 6 delas morreram. A transmissão deu-se a partir de aves comercializadas vivas em mercados (17 casos) e a partir de aves de granja (1 caso). Em fevereiro de 2003, registrou-se em Hong Kong casos de influenza aviária por (FLU A/H5N1) em duas pessoas de uma mesma família (pai e filho), com história de viagem ao sul da China, onde ocorreu a infecção. O pai evoluiu para óbito. Um terceiro membro da família (irmã do menino) foi a óbito, na China, por doença respiratória grave e nenhuma amostra estava disponível para determinar a causa de sua morte. Atualmente, 20/10/2005, contamos com 115 casos humanos de influenza aviária H5N1 com uma taxa de letalidade em torno de 52%. Sim. Todos os surtos de influenza aviária - mesmo quando causados por uma cepa de baixa patogenicidade - são de extrema importância. Pesquisa tem mostrado que certas cepas do vírus da influenza aviária, inicialmente de baixa patogenicidade, podem produzir mutações (dentro de 6 a 9 meses) para uma cepa de alta patogenicidade, se houver a circulação em populações de aves domésticas. Sim. Algumas ações podem ser feitas para impedir a disseminação de epidemias de influenza entre os países, a partir da identificação de uma nova cepa circulante: a principal linha de defesa é reduzir as oportunidades para a exposição humana ao maior reservatório do vírus FLU A/H5N1 - aves domésticas infectadas. Isso é possível pela rápida detecção de surtos em aves domésticas e a introdução emergencial de medidas de controle, incluindo a destruição de todas as aves infectadas ou expostas e o descarte adequado das carcaças. A Organização Mundial de Saúde (OMS) enfatiza a necessidade da ação rápida para a contenção desses focos. A vigilância e controle da influenza animal no Brasil é de responsabilidade do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Outra medida é a vacinação, nos países com surtos de influenza aviária de alta patogenicidade (FLU A/H5N1), dos trabalhadores da avicultura com as vacinas atualmente disponíveis contra a influenza humana, para redução da chance de co-circulação de cepas humanas e animais. Muitos especialistas em influenza consideram que o desencadeamento rápido das ações de controle previna uma pandemia de influenza em humanos. Chama-se a atenção ainda para a importância do esclarecimento dos comerciantes e à fiscalização da comercialização de aves vivas ou recém abatidas nos mercados locais, como forma de evitar a disseminação e a co-circulação de cepas dos vírus influenza. Sim. A Organização Mundial de Saúde (OMS) está ciente de que os governos de diversos países com surtos em aves domésticas não têm recursos necessários para introduzir medidas de proteção recomendadas aos trabalhadores envolvidos na destruição e descarte das aves infectadas. Em alguns desses países, a prática de criar aves domésticas em quintal compromete a eliminação rápida e sistemática dos reservatórios animais. A OMS, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) publicaram, em conjunto, um apelo à comunidade internacional para disponibilizar rapidamente recursos adequados e outras formas de apoio disponíveis no interesse de proteger a saúde pública internacional. No caso do Brasil, o MAPA têm adotado várias medidas para evitar a entrada da doença no Brasil, tais como: a restrição do ingresso de material genético avícola aos aeroportos de Cumbica (São Paulo) e Viracopos (Campinas) e nos postos de fronteira com os países do Mercosul; a implantação de detectores de matéria orgânica para controlar bagagens e passageiros; o credenciamento de laboratórios para diagnósticos sorológicos; a implementação do cadastro nacional informatizado de granjas avícolas; e a elaboração de normas técnicas para registro e produção de aves de corte e postura. Além disso o MAPA também está elaborando o seu plano de contingência para a gripe do frango no Brasil. Sim.
Duas outras cepas aviárias causaram doença em humanos,
mas os surtos não foram tão graves como os causados pela
FLU A/H5N1. Ainda não. As vacinas disponíveis atualmente não protegem contra a doença causada pelo FLU A/H5N1 em humanos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) está trabalhando em conjunto com a Rede de Vigilância Global da Influenza para desenvolver um protótipo de uma vacina contra a cepa do FLU A/H5N1, como preparação para a produção ampliada de vacina para humanos, caso esta cepa origine uma nova pandemia. Para outras informações, acessar os sites a seguir: Ministério
da Saúde Secretaria
de Vigilância em Saúde Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Agência
Nacional de Vigilância Sanitária Organização
Mundial de Saúde: Organização
Mundial de Saúde Animal Organização
das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação
Pode enviar sua mensagem para o e-mail: gripe@saude.gov.br |